caetano cantou e eu me identifiquei! passar um tempo fora do país sempre me empolgou, mas quando a hora chega dá um calorzinho no estômago! além disso, tem a vontade de carregar os amores naquelas malas que ficam debaixo do braço. aquelas que a gente tem que apertar bem pra não cair.
vou usar o blog como diário de bordo. e como "malinha de suvaco" pra dar notícias pros amores.
tô indo embora! tô dando o fora! vem comigo?

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Vergonha nascional


A gente descobre que está fazendo bons amigos de acordo com a sinceridade deles com você.

A gripe me pegou e a primeira coisa que o Thiago me disse hoje foi: “Nossa, você tá um defunto hoje, hein?” Mal sabia ele que hoje eu tava dando o meu melhor.

Tudo começou na quinta, quando o frio chegou pra cortar. Os carros amanheceram com gelo, a rua também e a grama, que sempre foi verde, cinza! Do caminho da estação pra escola minha garganta dava sinais de risco, meu nariz demonstrava uma certa secura e minha cabeça doía. Café quente aqui, jantar ali e logo chegou a hora da festa brasileira...

Caipirinha, coxinha, samba, pagode e gringo pulando de um lado pro outro querendo dançar. Teve apresentação de maracatu e todo mundo se alegrando. Quando tocou o forró me senti no palco dançando com o Henrique e negada sacando câmera, achando lindo. E olha que era eu dançando.

E ensina um a sambar daqui, uns passos de forró dali e eu ao mesmo tempo tentando socializar com o turco da minha sala que tava na primeira semana, meio perdido. A gente falando inglês, ele falava uma coisa, eu respondia outra e às vezes um dizia pro outro: “mas a gente tava falando num era de tal coisa?” Mas ou menos assim a gente se entendeu. E ele demonstrou bem mais molejo que eu.

O resultado da festa brasileira foi um monte de história a ser contada e uma sexta feira de escola vazia. Pelo menos foi o que disseram pq eu, bom, eu acordei as 7h com a gripe berrando na minha cabeça. Num conseguia respirar, chorava sem querer e meu corpo doía como nunca.

Levantei, tomei café, tomei um resfenol e deitei na cama, lugar em que fiquei até as 7h da noite, hora do jantar.

Eu adorava a comida daqui de casa, mas num dá mais pra mim. Quando chego em casa e sinto o cheiro tenho vontade de vomitar. E o cheiro é constante pq o ar não ventila aqui. É muuuuita páprica, muuuuuito curry todo dia. Como um pouco e jogo o resto todo fora. No começo Diana falava que não era um problemas, mas agora acho que ela começou a achar que é. E acho que por causa disso, nós estudantes começamos um jantar diferenciado do dela às vezes.

No sábado eu ainda tava morrendo de gripe, mas não aguentava mais ficar dentro do quarto. Resolvi ir com o Eduardo (o morador brasileiro daqui de casa) conhecer alguns pontos turísticos da cidade. Mas tava tão frio!

Depois que escureceu ligamos para alguns amigos e fomos nos encontrar em um pub. Fiquei discutindo a política brasileira com um espanhol que diz adorar o Brasil. Conseguimos nos entender bem. O fiz odiar o Lula e amar Chico Buarque. Resultado positivo.

De lá pra outro Pub e de outro Pub pra um club.

Uma das coisas boas de morar fora é descobrir que não é só no seu país que as pessoas são idiotas e injustas. Fomos expulsos desse club 5 minutos de depois de ter entrado. Tivemos tempo apenas para gastar £5 guardando casacos. A gente tentou pegar nosso dinheiro de volta e o cara chamou a polícia. O motivo de termos sido mandados embora foi que meia dúzia de piriguetes pagaram £10 cada uma pra ficar com a boate fechada só pra elas. Pra mim num faz sentido nenhum, mas quem mandou nascer em país pobre e não andar de mini-saia no frio?

De lá pra outro club, mas o humor já tinha acaba depois da expulsão. Só voltei a ser feliz quando cheguei em casa e dormi lindamente.

O Brasil aqui é notícia agora. Se engana quem acha que é por causa do que está acontecendo no Rio. Isso também deu notícia, mas só hoje em um espacinho pequeno do jornal. Acho que aqui eles acham que isso é normal no Rio, sempre acontece. Tá indo na padaria comprar um pão para um tanque na faixa pra vc atravessar.

O que é notícia todo dia é um tal de Wagner, um brasuca que tá entre os finalistas do Ídolos daqui. Imagina uma figura baixa, cabeça de cearense, cara de gente que toma sol todo dia sem querer e sem protetor, cabelo comprido LOIRO e de bigode PRETO! E como se o visu criola lôra num bastasse, neguin abusa dos acessórios e manda a ver na performance exagerada.

Eu sempre escutava um Brâzil no meio da conversa da TV, mas achava que era aquela história de “quando a gente quer escutar uma coisa a gente sempre escuta”. E eu sempre detestei ele, sempre achei o pior de todos. E ele realmente é o pior.

A polêmica toda é pq semana retrasada ele fez uma apresentação ridícula e ficou entre os dois que sobram pra ser votado pelo público pra sair. Ele ficou! O outro rapaz recebeu uns 80% dos votos. Eu sei que essa não é a única polêmica, mas meu inglês não é suficiente para entender o resto. Procurarei saber mais.

Por enquanto só me resta admitir que tenho mais vergonha do Wagner do que da guerra no Rio.



domingo, 21 de novembro de 2010

bem brighton


No primeiro dia de aula eu achei que ia morrer de frio, né? Coloquei uma botinha que minha tia me deu, coisa mais feia do mundo (desculpa tia, suas toquinhas fazem muito sucesso e são lindas, mas a bota...), meu pé fica mais gordo do que já é. Ela é toda de pelúcia por dentro, uma belezinha. E ai eu pensei: “nú, essa bota salvou verão”. Só que não! Ela é mesmo uma boa alternativa. Embora não seja lá um ícone da moda, ela conseguiu manter meu pé quente. Mas ai o tempo passa, o vento voa e o frio, meu amigo, o frio não perdoa. Agora a botinha da minha tia só mantém meu pé aquecido por 2 minutos, quando muito. Às vezes, andando, tenho a sensação de que meu pé está em processo de necrose, mas nunca sei se é pelo frio ou pela quantidade de meia me apertando. Ontem quando cheguei em casa pra tomar banho notei que minha perna tinha passado de transparente para roxa. Mas aos poucos vou me adaptando. Não ao frio, mas às dores que ele me causa.

Na sexta tive minha primeira despedida. Eu lembro de alguém falando que é muito chato ter que se despedir de um monte de gente em pouco tempo. E é mesmo. Ottaviano voltou pras delícias da Itália e nos deixou aqui, órfãos. Pra despedir, a simpatia levou suco e bolo pra aula, e depois fomos todos da sala almoçar juntos em um café típico daqui. A comida era ótima e me lembrou o rochedão do Bolão, juro. E como o rochedão, foi impossível comer tudo. Fotos e mais fotos, inglês de índio pra se comunicar e abraço bem apertado de já saudade pra despedir.

Depois disso eu e Thiago fomos pro Provindence, um Pub ótimo de ficar espalhado no sofá e beber cerveja boa. O Henrique chegou e logo éramos a atração do local. Brasileiro ri alto, né?! E neguin que tá em volta num aguenta e ri junto das gargalhadas.

No sábado fiz um tour por Brighton. Fiquei gostando ainda mais daqui, sabe? Ô cidadezinha simpática. O mar verdinho, verdinho, as gaivotas branquinhas, branquinhas e as pedrinhas no lugar da areia, o que poupa a vontade de ducha depois do mergulho, penso eu.

Aí fomos no famoso pier...o pier, meu querido, é o lugar da perdição. Milhões e milhões de máquinas de jogos, pré-projeto de Las Vesgas e eu, bom, eu descobri que tenho uma veia pra jogatina. Fiquei louca, queria usar todas as minhas moedas, mas me controlei. Acabei gastando 1 pound em moedas de 10 pence, mas tive o retorno de 50 pence, o que não é nada mal, se foi ver. Mas eu tenho certeza que se eu tivesse continuado jogando eu teria ficado RYCA! Tá, prometo só voltar lá para fotos e compra de alguns presentes.

Sobre a minha meta de arrumar marido rico, bom, tenho o primeiro pretendente. Trata-se de um árabe gigante e já de uma certa idade da minha sala. A gente tem muito em comum, ele cria cavalos, adora o campo, pensa que a mulher nasceu para servi-lo e já tem uma filha, o que me faz pensar que ele já é casado, o que me faz concluir que eu seria a segunda esposa. Ah, ele também tem aquele trem de rezar ao meio dia e tal. Tudo que sonhei pra mim. Ele tenta se aproximar escrevendo meu nome em árabe e me desenhando no caderno. A Thaís acha que qualquer dia meus pais receberam uns camelos lá em casa. Mas ele já percebeu que não faz muito meu tipo e esses dias pediu desculpa pela liberdade de me desenhar. Eu desculpei, simpática que sou.

Meu novo amigo inglês é um sanduíche de presunto com mostarda. Está comigo todos os dias da semana. Duas fatias de pão integral recheadas com uma leve camada de uma mostarda muito boa (acho que é djon misturada com maionese) e um presunto divino. Tudo isso em apenas 210 Kcal, o que pra comida inglesa chega a ser quase nada. Eu nunca entendi pq o Chaves gostava taaanto de sanduíche de presunto, mas depois dessa descoberta passei a entende-lo.

Aqui perto de casa não tem esse sanduíche, então meu almoço de hoje foi um também light de frango com salada. Abre o pão, tira todo o pepino e come o pior sanduíche da vida eterna, acompanhado de uma Coca, e agora só tomo Diet, pra esquecer o gosto.

Passei a tarde estudando, linda. E pra quem não acreditou que Belo Horizonte ia dominar Brighton, hoje chegou mais um morador pra casa. “Where are you from?”/”Brasil”/”Where do you live in Brasil?”/”Belrizont”. Não se preocupem com o inglês, aqui we just speak English. Ou algo parecido.



quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O que é bom sempre pode melhorar e o que é frio sempre pode congelar

Quem disse mesmo que ia tentar escrever todo dia? Quem disse mesmo que ia correr de brasileiro? Quem disse mesmo que num ia beber nunca mais depois da última ressaca? Vou apagar o adjetivo “compromissada” do meu perfil do orkut, tá?

Desde a última vez algumas coisas mudaram. Em casa, o Stanley continua gostando de mim, até mais que antes, já que comprei uma pantufa de porco e ele está alucinado com ela. Mas nosso amor foi proibido pela Power. Ele não pode mais se deitar no sofá ao meu lado, só ao lado dela ou do filho. Fiquei chateada no começo, mas passou. Já tava mesmo ficando brava com a quantidade de pêlo que ele tava deixando nas minhas roupas.

David tem se mostrado cada dia mais prestativo e para retribuir as ajudas eu penso em mandar um e-mail para aquela mulher chata do “Vc é oq vc come” e contar um pouco dos hábitos dele. Um prato gigante de macarronada com almôndegas precisa mesmo ser acompanhado de UMA BAGUETE INTEIRA? E depois de jantar vc tem mesmo que comer sorvete, chocolate e doritos? Tudo isso devorado na velocidade da luz. Ele chega a ofegar enquanto come. Eu antes me desesperava com a cena veloz e tentava acompanhar. Meu estômago brigou comigo, chegou a falar em divorcio. Parei!

Temos também um novo morador. Frederic, o belga. Eu tive a função de fazer as vezes da cidade e da casa pro menino. Não foi fácil. Ele até é uma graça, super bem humorado, mas ele tá um nível abaixo do meu no inglês, como que conversa? A gente troca três palavras e passa o resto do tempo tentando descobrir como que fala o que a gente quer falar. Agora já aprendi, antes de sair ensaio três ou quatro frases, o que já garante 5 minutos de conversa.

Fui com ele pra escola, o tranquilizei sobre o teste e a facilidade de fazer amigos. Depois fiz as honras da casa. Mostrei onde fica tudo, falei como tudo funciona, mas acho que esqueci de falar que tomar banho pode. É Livão, menti, ele fede sim. Descobri ontem quando desci do meu quarto e comecei a sentir um cheiro estranho. Achei que era a geladeira que tava aberta, pq ela tbm fede, mas quando ele abriu a porta...cena de filme, veio uma onde verde, se dividiu ao meio e entrou em minhas narinas provocando a reação imediata de uma torção facial e quatro passos para trás. Pouco adiantou. O cheiro é pavoroso. Aí fui reparar que ele num tomou banho desde que chegou, no domingo. E ontem ele me contou que andou 2 km com os amigos novos. Mesmo no frio, né, anda 2 km pra ver se num rola um suor.

Fiz vários novos amigos. Aqui, segundo dados do IBGE, 97% da população é brasileira. Desses 97%, 96% é de BH. Mas tem a Tatiana, que é de Lavras de corpo, alma, coração e Circuitinho Trevas.

Os mais próximos são a Thaís (portadora/distribuidora de remédio inovadores), o Thiago (guia turístico, gastronômico, administrativo e fashion de brighton), o Henrique (figuraça companheira de farra e de riso interminável), Ottaviano (italiano, bom moço, pai de família e substituto pra mim e pra Thaís). Já consigo me entender melhor com os Árabes e, na verdade, eles são ótimos, simpatia que só.

Também sinto melhoras no meu inglês. Não corro mais das pessoas com medo de elas conversarem comigo, o cara do metrô não corrige mais meu sotaque e quando eu falo alguma coisa as pessoas não precisam mais perguntar 3 vezes. Mas ainda fazem cara de concentração máxima. Eu fico grata!

As noites aqui são fervorosas. Quando eu falava ai no Brasil que piriguete não sente frio é pq eu ainda não conhecia as piriguete daqui. Tô eu saindo com 2 meias-calça de lã, uma jeans, uma meia de lã (por cima das meias-calça), 57 blusas, gorro, batendo o queixo, tremendo a perna, perdendo os dedos dos pés e das mãos e as nega de saia cuuuurtissima e tomara-que-caia. Ai fica na rua encolhida e tremendo. Tem mãe não!

Ai elas dançam tentando ser sensual, pq o negócio aqui é ser sensual, todo mundo quer ser sexy! Ai toca música brasileira e todo mundo acha que samba. Até eu acho que sambo. E todo mundo se acaba no miudinho, com a diferença de que as gingas fazem isso sensualmente, claro.

E tem também uma parada de sair de fantasia. Normal ter uma festa e ficar pensando desde cedo que roupa vestir, né?! Ai aqui elas acordam e pensam: “Hum...hoje eu vou com aquela fantasia de coelhinha”. Mas ai ela vai sozinha de fantasia! Só tá a pessoa fantasiada na rua! E as fantasias são sempre sensuais, se é que resta alguma dúvida.

As bebidas são muito baratas e as cervejas muito boas. O que é ruim, principalmente no dia seguinte.

Cada dia que passa o frio bomba mais. Hoje, por exemplo, não sinto meus dedos desde cedo. Acho que nunca mais os sentirei. Mas tenho feito compras para me preparar. Compras em lugares enlouquecedores. Muita, muita coisa bonita pela bagatela de £2. Chorei de me acabar.

Também por uma bagatela passei o final de semana em Paris. Diversão com a garantia de lugares lindos. Mas do metrô de lá eu nunca sentirei saudades. Conhecemos, na palma das mãos, Paris inteira debaixo da terra. Nos perdemos, nos achamos, andamos, andamos, andamos. Quem tem boca consegue andar em Paris. E se a boca falar francês então...anda lindamente.

Cada dia as coisas ficam melhores aqui. Vou descobrindo como a cidade funciona, vou vivendo com a comida ruim, vou me acostumando com o frio, vou fazendo bons amigos, vou me conhecendo um pouco mais e aprendendo tanto todo dia que chego a ficar tonta.

Já sinto muita saudade das pessoas, da comida e dos lugares. E já tenho algumas dúvidas:

1. Já sabem quem matou o Saulo?

2. Qq tá rolando na novela? E na Tititi?

3. E a Fazenda?

4. Acharam o corpo da Elisa nada, né?

Quem responder ganha uma corrente de vento na orelha!

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Chove lá fora e aqui faz tanto frio....

Acordei com rajadas de vento na janela. Velocidade aproximada às dos saques do Guga nos bons tempos, ou do Coelho, treinador do meu cunhado. Achei que ia passar logo, que era coisa da madrugada, mas o frio dentro do quarto, que normalmente é inexistente, não deixava dúvidas. Vá lá São Pedro colaborar com brasuca no primeiro dia de aula?

Por sorte Daiane tava de folga e me levou até a escola de carro. Cheguei 40 minutos mais cedo e a escola tava fechada, claro. Pra não congelar, dei três voltar no quarteirão. Só pra constar, além do vento, chovia, tá?!

Entrei na escola. O frio também entrou. Nada daquela história de tirar o casaco em ambientes fechados e aquecidos. Isso não funciona em dias assim, incrivelmente frios.

Por lá todo mundo é legal e cheio de disponibilidade. Para esperar a hora do teste fiquei no Café. Novos alunos foram chegando e se juntando a mim. Começaram então as conversas. Duas turcas, uma sueca, uma alemã e mais uma brasileira de belzonti. Prontamente nos tornamos, todas, melhores amigas para sempre. Prometi à sueca que tentaria descobri como fazer pão de queijo sem polvilho, já que ela disse amar tal quitanda das Gerais. Mais tarde conheci mais gente. Mais três meninas e um espanhol, todos ótimos.

Descobri também que essa história de beleza física com a miscigenação é balela. Por aqui todo mundo é mais bonito. Homens e mulheres. Quando se vê um/uma mais normalzinho, PIMBA: “where are you from?”. E nego responde já rindo (provavelmente porque também te achou normalzinha): “Brasil”. Vai ver deixar todo mundo purinho nem era tão má idéia assim...(brincadeira, brincadeira).

Fomos para as respectivas salas. A brasileira, Thaís, está na mesma sala que eu, mas vai mudar nessa ou na outra semana. Árabe por aqui é mato geneticamente modificado para mais produzir. E quando eles falam eu não entendo NADA! É uma quantidade de rrrrrrr!!! O que se compara ao sotaque dos italianos. Lembram do italiano que a Rachael pegava no começo de Friends? É assim! Aí fiquei pensando como será o nosso sotaque. Porque eu acho que eu falo lindamente, sotaque zero, se o Lula me permitir o trocadilho.

Almoçamos todas juntas. Sanduíche de frango com maionese, muita maionese. E se a hora de comer nunca foi uma hora boa para paquerar, aqui, com maionese, é ainda pior. Tipo Lula´s. Cai tudo, vaza tudo, meleca a cara toda. E todo mundo que era bonito passa a ser igualmente lambrecado como nós, brasileiros mortais.

Depois do almoço fomos passear pela cidade. Parece que você é figurante de um filme europeu. Todas as casas iguais, todas as mais novas tecnologias, ou quase todas, ali, à sua disposição.

Fomos ao supermercado para comprar adaptador. Aqui, por 3 pounds você compra uma saco gigante de twix; ou 5 pingles; ou 3 bandejas de almoço/janta semi-pronto; ou 4 pacotes de salada escolhida, lavada e pronta; ou 2 caixinhas de suco; ou muitas e boas frutas da estação. Eu só comprei um adaptador.

O caixa é self-service, você mesmo passa sua compra. Incrivelmente moderno e honesto.

Mais uma voltinha na cidade e voltamos para casa. No trem, sozinha, passei uns apertinhos. Manotinha de cá, outra de lá, mas tudo deu certo.

Em casa, David me ajudou com o novo celular depois de devorar rápida e ofegantemente o jantar.

Meta da semana: Lembrar que o teto do meu quarto é triangular e procurar não mais bater a cabeça toda hora.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

uma cerveja e um gramado!

Pensei que nunca mais ia acordar. A cama é bem atrativa. O frio ainda mais.

Diane Power me esperava com a mesa de café posta. Pão de forma, torradeira, água para o chá em borbulhas e 775, sem exageros, tipos de cereais diferentes. Meio Sheldon, mas simpático. Se leite eu tomasse, adorar eu ia.

Ela me ofereceu mundos e fundos, mas meu estômago ainda estava tentado digerir a quantidade de macarronada da noite anterior. Eu só queria um café. Ela preparou. Quatro colheres generosas de pó e uma grande caneca. Jogou água quente lá mesmo e mandou um trem de botar pressão. Tava lá meu café fresquinho.

Depois disso, Power me levou para conhecer o caminho da escola. Aqui eu ando de BMW, velho, mas o que vale é a marca. Aqui eu também ando do lado errado e confesso, eu sempre acho que neguinho tá louco e que nós vamos todos morrer na próxima esquina. Daiane não tem muita paciência com as filas, vive no “come on, come on” e sempre ameaça uma buzina. Sua direção ofensiva também me causa medo, mas como ela é Power eu confio.

Voltamos para casa, ajeitei algumas coisas e resolvi dar uma volta pela vizinhança. Território reconhecido, achei algo parecido com um parque, mas um pouco menor. Voltei em uma loja de conveniências tentando fugir de todos os sanduíches de bacon que eu tinha encontrado. Em um minuto escolhi o light de frango e alface. Demorei uns 7 mins pra escolher a cerveja. Sentei no aspirante a parque e fiz ali, junto às gaivotas gritantes (o que irrita), meu primeiro almoço dominical inglês. Perfeito! Faz valer a vida.

Andei mais um pouco pelos arredores só pra comprovar mais uma vez que viajar é uma das únicas coisas que fazem com que o Deus bom que dizem por ai exista.

Em casa, banho e Formula 1! Mas dormi e só acordei na hora que o piloto inglês tava contando do assalto, ou tentativa, que ele sofreu no Brasil. E eu só no “”Brasileiro, quem?” Contei dos problemas de segurança, como era difícil, mas que também não é assim como dizem e pá. Praticamente uma embaixatriz.

No jantar de hoje eu pedi para não comer tudo. Diane concordou com uma grande risada.

Stanley, o cão, me ama cada dia mais. Com a boca ele puxa sua coberta (marrom de mesmo tecido que aquela minha que todo mundo comprou igual. Pulôver, eu acho rs) em minha direção. O que eu fiz pra conquistar o amor dele? Foi só jogar a coberta por cima do rapaz. Amor eterno eu diria. Ele trocou o colo da dona no sofá pelo meu. O que causou ciúmes explicito.

O dia terminou em eliminação no Ídolos inglês. Eu entendo pouca coisa, mas quando todo mundo ri eu também rio para enturmar.

Conclusões de hoje:

1) definitivamente os ingleses de Brighton não são frios. Trata-se de um dos simpáticos que eu já vi.

2) assitir Ídolos só pra ser amiga num rola mais não.

The fâst dây

Englant, englant! O taxista que me trouxe até em casa era uma graça. Suspirava simpatia e tantava me fazer sentir em casa com piadinhas sobre o tamanho das minhas malas. Não consegui saber se eram engraçadas ou não, mas ri de todas com a firmeza de quem tudo entendeu.

Com o inglês, a (língua) é assim, consigo perceber que falo tudo errado, mas só percebo depois que falei, aí já é tarde. Mas como eu fiz com o taxista, as pessoas parecem também fingirem que entendem o que eu digo.

Quando cheguei em casa não tinha ninguém. Pensei: “Negada sacou que brasileiro era fria e se mandou”. Mas nada que em cinco minutos não fosse resolvido. Diane Power chegou com o filho David e o neto que, embora viva aqui, eu ainda não consegui saber o nome.

A casa é linda, meu quarto é excelente. Cama box de casal, criados mudos com abajur, edredom tipo Hotel Glória da Bolívia, TV, DVD e glamour.

A galera aqui é massa. Diane Power, apesar do nome de travesti e da voz de fumante (que ainda não vi fumar) é uma senhora simpática, baixinha, gordinha e de sorriso largo com dentes bem cuidados. Desconfio de uma dentadura, mas pode ser só preconceito meu de dentes ingleses. David é alto, também gordo e também simpático, ainda não se dirigiu a mim diretamente, mas se mostra sempre disponível e atencioso.

O neto beira os 13 anos e é a típica criança inglesa. Loirinho, magrelinho, branquinho e falante. Mas fala com a também típica batata na boca, o que faz com que eu entenda ainda menos. Por saber disso, ele se aproveita do sotaque e conversa bastante com a avó sobre mim. Pego só uns “Helêina”, “she´s”, “she like”, “she´ll”. Mas acredito serem palavras do bem.

O banho foi quente e agradável. O janta, spaguett com almôndegas em um prato bem generoso que só comi tudo por vergonha. Depois veio um cupcake de boas vindas que eu comia rezando para não vir mais nada.

Louça na máquina com a graça de um Deus inglês. Agradeci a hospitalidade e fui convidada a assistir algo parecido com Ídolos. Por simpatia fui, enquanto Stanley, o cachorro, traçava uma pratada do spaguett que depois foi prontamente vomitada quase no meu pé.

Tivemos que esperar a programação assistindo à dança dos famosos. Diane Power sofre. Tem seus amados e espera as notas dizendo “nine, nine, come on!” Também tem seus odiados, o apresentador e um fortão jogador de Hugby que, por influência, eu também já odeio.

Diferente do Faustão, aqui todas as danças têm graça. Os competidores são exageradamente duros, forçam uma sensualidade inexistente e demonstram ansiedade pelo fim da apresentação. E eu segurava o riso concordando com os elogios e críticas de Diane Power.

Não consegui esperar a competição dos cantores. Dormi lindamente com minhas almofadas fofas.

Nesse primeiro dia, o mais estranho foi ter que conversar em inglês com um cachorro. Mas, honestamente, ele parece ser o que mais me entende. Deve ser pelos gestos de “vem brincar” e “se vomitar em mim morre”.